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ARQUIVOS VINIS

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14/09/16

Som Imaginário



SÁBADO
(Som Imaginário)


Sábado eu vou a uma festa
Vou levar meu violão
Vou cantando uma canção
Que eu decorei

Sábado eu vou a uma festa
Numa nuvem de algodão
E entre estrelas vou abrir meu coração

E vou encher de vagalumes teu cabelo,
Respirar o ar do céu, vou

Eu quero o céu e vou com guizos nos sapatos
Minha roupa em farrapos coloridos vou rasgar

E vou dançar entre os cristais azuis do tempo e esquecer
A terra longe, longe, longe
A se perder

Sábado eu vou ...



08/09/16

Fernando Pessoa

"Há em olhos humanos, ainda que litográficos, uma coisa terrível: o aviso inevitável da consciência, o grito clandestino de haver alma."

Escher

07/09/16

Apresentação - Cecília Meireles

Aqui está minha vida — esta areia tão clara 
com desenhos de andar dedicados ao vento. 

Aqui está minha voz — esta concha vazia,
sombra de som curtindo o seu próprio lamento.

Aqui está minha dor — este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.

Aqui está minha herança — este mar solitário,
que de um lado era amor e, do outro, esquecimento. 







































(Foto de Edouard Boubat)






01/09/16

Infância

cada fragmento de minuto da infância é uma epifania, e o menino, futuro homem das horas dessacralizadas, melancolicamente pressente o fim do tempo do maravilhoso, morrendo de saudade a cada fragmento de minuto da infância...

(*


Torquato Neto

"Quando eu recito ou quando eu escrevo uma palavra, um mundo poluído explode comigo & logo os estilhaços desse corpo arrebentado, retalhado em lascas de corte & fogo & morte (como napalm), espalham imprevisíveis significados ao redor de mim. Uma palavra é mais que uma palavra, além de uma cilada. No princípio era o verbo. Existimos a partir da linguagem, saca? Linguagem em crise igual a cultura e/ou civilização em crise. O apocalipse, aqui, será apenas uma espécie de caos no interior tenebroso da semântica."




Samba

noite clara, povoada solidão
desvelo no beco do medo
o solstício da vida em vão
na doce alma em degredo

e o sereno devir do tempo
na boca sedenta do amor
triste e alegro contemplo
feito um palhaço da dor

(*



20/08/16

28/07/16

Menino-Anjo

Foto de Maureen Bisilliat, Brasil, 1965.




Belchior

o que é que pode fazer o homem comum neste presente instante senão sangrar
tentar inaugurar a vida comovida, inteiramente livre e triunfante?
(...)
não, eu não sou do lugar dos esquecidos
não sou da nação dos condenados
não sou do sertão dos ofendidos
você sabe bem: conheço o meu lugar!

(belchior)





Lettera 32 (1980-1985)

(*


26/07/16

Foto de Robert Doisneau (1912-1994)


se não for na esfera da poesia
não se iluda
é tudo reles mercadoria

(*



Toninho Horta



Duas canções correlatas de Toninho Horta (em parceria com Ronaldo Bastos e Fernando Brant), gravadas no mesmo LP (1980) e falando sobre tempo, amor e amizade.

(...)
o que o vento não levou
o tempo não apagou
nem a dor pode apagar
quando quer renascer
o amor é natural
ele chega quando quer
ele fica quanto quer
ele vai se quiser...
("caso antigo")

(...)
mas se o tempo muda
ela se faz mulher
vem a saudade do que a gente é
vem a vontade de estar juntos
e ser o caso mais antigo
mais que bons amigos somos
muito mais que bons amigos...
("bons amigos")






25/07/16

Little Walter, 1930-1968

Blues with a feelin',
that's what I have today
Blues with a feelin',
that's what I have today





(*



seus olhos são apenas
álibi
de seu instintivo tato

(Foto de Horst P. Horst, 1941)