12/08/11
Itamar Assumpção
LP "Itamar Assumpção". Continental. 1988.
Ausência
(Itamar Assumpção/Ademir Assunção)
Bem que você podia
Pintar na sala
Da minha tarde vazia
Como na poesia
Itamar (voz, teclados e arranjo)
Cibele Cássia (voz)
Transcrevo, abaixo, trechos do iluminado texto ("Por Itamares Nunca Dantes Navegados") que o poeta Paulo Leminski escreveu sobre o Nego Dito e este disco, o primeiro do Pretobrás por uma gravadora.
(...)Desde o princípio, esse paulista do Tietê, meio paranaense de Londrina onde atacou de teatro, na melhor fase teatral da cidade, sempre colocou sua produção sob o signo da marginalidade, marginalidade inscrita no próprio personagem-máscara do Nego Dito, vulgo Beleléu, dupla ou tripla marginalidade.
Marginalidade enquanto negro na sociedade brasileira, onde toda uma raça que construiu o Brasil foi despejada e despedida do emprego com uma tragicômica Abolição.
Marginalidade de músico -sobretudo- de músico de vanguarda, de uma vanguarda onde a extrema criatividade nunca esteve afastada da mais ampla e funda capacidade de comunicação, uma vanguarda popular.
Por fim, a marginalidade de consumo, Itamar tendo sido um dos nomes mais fortes naquilo que se chamou "produção independente", fonte de toda uma renovação da MPB, viciada em esquemas fáceis e repetitivos de pronta aceitação e imediato esquecimento. (...)